segunda-feira, 13 de outubro de 2014

TRE - HORÁRIO GRATUITO DESPERDIÇADO - OBSERVAÇÕES E SUGESTÕES DE JOÃO DINO


 https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhFrmv7p1RQWStEx73SLRxStA_bkmOkcVu_3bi2-f82psw2-l1BXhCWXq2ph2WAyYrPiUpt2A_3bo-bXxULPLx4tE9cgadNGz9tbgqFaMKsC5sIUHoiJrRf0dwnfQBpFtvQws9uG9iqV8om/h120/EUN%C3%8DCIO+E+CAMILO.jpg

EU ASSISTO TODOS OS PROGRAMAS ELEITORAIS NAS RÁDIOS E NAS TV'S. MESMO NÃO SENDO FILIADO A NENHUM PARTIDO, E NÃO TENDO A  MENOR PRETENSÃO DE CONCORRER A CARGOS ELETIVOS,  EU SOU OUVINTE E TELESPECTADOR ASSÍDUO DO HORÁRIO GRATUITO DO TRE.
OUVINDO OS DESABAFOS DOS CANDIDATOS DE JUAZEIRO DO NORTE, DERROTADOS NA ÚLTIMA ELEIÇÃO, EU RESOLVI FAZER ESSE COMENTÁRIO AQUI, PORQUE, PELO QUE ENTENDÍ, TODOS SE DIZEM VÍTIMAS DO POVO.
COMENTÁRIO EXCLUSIVO PARA JUAZEIRO:
A) SERVIDORES ETERNAMENTE EM PÉ DE GUERRA,  PERMISSIONÁRIOS DE LOGRADOUROS PÚBLICOS AMEAÇANDO GREVES E PARALISAÇÕES ETC.,  E DEPUTADOS NÃO SE MANIFESTAM NEM CONTRA NEM A FAVOR;
B) O SANEAMENTO BÁSICO DA CIDADE É DE FAZER VERGONHA, BURAQUEIRA GENERALIZADA, PORQUE OS MÉTODOS DE CONSTRUÇÃO E REFORMAS SÃO REALIZADOS PARA FAVORECER CORRELIGIONÁRIOS POLÍTICOS, NO ESQUEMA DE CORRUPÇÃO QUE TODA A POPULAÇÃO CONHECE E DESAPROVA, E ENQUANTO ISSO ACONTECE À LUZ DO DIA, OS NOSSOS DEPUTADOS FECHAM OS OLHOS, FICAM OMISSOS;
C) METADE DA FROTA DE VEÍCULOS CIRCULAM DE FORMA IRREGULAR, COM DOCUMENTAÇÃO VENCIDA E/OU CONDUTORES DESABILITADOS, TORNANDO O TRÂNSITO DE NOSSA CIDADE UM VERDADEIRO CAOS, DEPUTADOS OMISSOS, NÃO VÊEM NADA;
D) DURANTE AS CAMPANHAS SE LIMITAM A FALAR DE GERAÇÃO DE EMPREGO E RENDA, SAÚDE, EDUCAÇÃO E SEGURANÇA, PORÉM SEM NEM UM COMPROMISSO QUE A POPULAÇÃO POSSA COBRAR.
NA MINHA VISÃO, POR ESSAS E OUTRAS RAZÕES, JUAZEIRO FICOU SEM REPRESENTANTES NA AL-CE.
SUGESTÕES PARA OS DOIS CANDIDATOS QUE ESTÃO AÍ TROCANDO ACUSAÇÕES EM 70% DO HORÁRIO ELEITORAL, IMAGENS QUE CHEGAM A PROVOCAR NOJO: MUDEM OS DISCURSOS. ASSUMAM COMPROMISSOS QUE O POVO POSSA CONFERIR. POR EXEMPLO:
A) A PARTIR DO DIA 1º DE JANEIRO, TODAS AS CONSTRUÇÕES E REFORMAS DE CALÇAMENTOS PASSARÃO A SER REALIZADAS EM PARALELEPÍPEDOS, DE ACORDO COM AS NORMAS DO CREIA, ATRAVÉS DE RECURSOS QUE IREMOS BUSCAR NO MINISTÉRIO DO TURISMO, E A APLICAÇÃO FICARÁ ISENTA DE ATRAVESSADORES, LICITAÇÕES FRAUDULENTAS E CORRUPÇÕES, PORQUE AS OBRAS IRÃO SER FISCALIZADAS POR ENTIDADES CONFIÁVEIS;
B) O TREZE ATLÉTICO JUAZEIRENSE, QUE FOI DEMOLIDO, SERÁ RECONSTRUÍDO E DEVOLVIDO À SOCIEDADE DO CARIRI;
C) ESSES MILHARES DE REBOQUES QUE CIRCULAM NO CARIRI, IRREGULARES, ACOPLADOS EM MOTOS, SEM PLACAS E SEM SINALEIRAS, TRANSPORTANDO BOTIJÕES DE GÁS, ÁGUA, FEIRAS ETC., COMPLICANDO O TRÂNSITO, COLOCANDO EM RISCO SEUS CONDUTORES (MUITOS SEM QUALQUER TREINAMENTO E SEM HABILITAÇÃO), PEDESTRES ETC., SENHORES CANDIDATOS, SE DIRIJAM AOS PROPRIETÁRIOS E ASSUMAM O COMPROMISSO DE FINANCIAREM RECURSOS PARA SOLUCIONAR ESSE GRAVE PROBLEMA DE NOSSA CIDADE, E PROMETAM QUE TODOS OS CONDUTORES PROFISSIONAIS DESSE SETOR, QUE TÊM CTPS ASSINADAS, SERÃO APENAS EXAMINADOS POR MÉDICOS PARA RECEBEREM, GRATUITAMENTE, SUAS CNH;
D) PROMETAM AOS ARTISTAS E INTELECTUAIS DO CARIRI, QUE ESSA REDE DE TV DO GOVERNO DO CEARÁ (TVC), QUE CUSTA MILHÕES DE REAIS AOS COFRES PÚBLICOS, CABIDE DE EMPREGO, E CUJA AUDIÊNCIA JAMAIS FOI QUESTIONADA, PASSARÁ A BENEFICIAR O CARIRI, O CENTRO SUL, O VALE DO JAGUARIBE, A REGIÃO NORTE, ATRAVÉS DE AFILIADAS, A EXEMPLO DA TV VERDES MARES;
E) EXPOCRATO... A POLÊMICA PODE SER RESOLVIDA COM APENAS UM COMPROMISSO  DO GOVERNADOR: DOTAR O ATUAL PARQUE DE ESTRUTURA VERTICAL, COM EDIFÍCIOS PARA ESTACIONAMENTO DE VEÍCULOS, 1º, 2º E 3º ANDARES PARA BANCOS, BARES/RESTAURANTES E CASAS DE SHOW'S, NOS MOLDES DO SHOPPING DO CARIRI...
ATENÇÃO SENHORES CABOS ELEITORAIS, MARQUETEIROS, MILITANTES E DEFENSORES DOS DOIS CANDIDATOS AO GOVERNO DO CEARÁ: APROVEITEM MELHOR OS HORÁRIOS GRATUITOS. POUPEM O POVO DA DIVULGAÇÃO DE TANTOS ESCÂNDALOS.
AFINAL DE CONTAS, A POPULAÇÃO JÁ SABE QUE O BRASIL ESTÁ CONCORRENDO AO TÍTULO DE PAÍS MAIS VIOLENTO E MAIS CORRUPTO DO MUNDO. O POVO JÁ CONHECE ESSA REALIDADE.

PROCUREM FAZER PROMESSAS CONCRETAS QUE OS CIDADÃOS DE BEM POSSAM COBRAR RESULTADOS A PARTIR DE JANEIRO DE 2015.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

HISTÓRIAS DE JOÃO DINO – MONSTRO NO CÉU

HISTÓRIAS DE JOÃO DINO – MONSTRO NO CÉU
Há um mês todas as nossas atenções estão voltadas para o céu. Amanhece, anoitece, as nuvens chegam a ficarem escuras, mais chuva, que é bom, e que nós estamos precisando muito, quase nada.
As prolongadas estiagens do nordeste brasileiro já foram documentadas em livros, revistas, cordéis, nas telas do cinema em centenas de versões etc.
Mas só quem sofreu na pele, como diz o nosso saudoso poeta Patativa do Assaré, os dramas de uma grande seca no nordeste, pode relatar o sofrimento dos nossos irmãos.
Ao longo dos meus 58 anos de idade, o período de maior estiagem que eu tenho lembrança, aconteceu durante o período de 1978 a 1982... Foram cinco anos ininterruptos de seca no Ceará. Até o grande açude de Orós, com capacidade para acumular 2,5 bilhões de metros cúbicos de água, ficou no limite mínimo.
Eu, e minha família, não sofremos diretamente as consequências da seca, porque eu já era o contabilista da Cooperativa dos Irrigantes do Perímetro Icó-Lima Campos, e em seguida passei no concurso e fui para o Banco do Brasil. Mas as imagens da devastação e do terror da seca a gente nunca esquece. Eu presenciei o sofrimento de muita gente.
Pois foi justamente nesse período que eu resolvi me casar. Minha 1ª filha, Giuliane, nasceu no dia 10.07.1977, Gillyerme em 20.04.1979, Netinho em 26.05.1980 e Gislânia em 02.06.1982.
Eu estou descrevendo essas datas para esclarecer que essas crianças, até dezembro de 1982, nunca tinham visto uma chuva.
Aquelas tradicionais brincadeiras infantis do nosso tempo, de tomar banho, de fazer barquinhos utilizando cascas de melancias e papéis, e depois soltar nas ruas alagadas pelas águas das chuvas, essas crianças não tinham qualquer intimidade com isso.
Quando eu consegui transferência para a Agência do Banco do Brasil de Antenor Navarro (PB), atualmente São João do Rio do Peixe, a casa que eu morava ficava na Praça da Matriz, a 50 metros do banco.
Nem televisão as crianças assistiam porque o sinal era tão ruim que não dava para entender nada. Por isso, o divertimento maior era correr, andar de velocípede e de bicicleta na praça.
Normalmente, quando eu saia do banco, vestia uma bermuda e ficava brincando com elas na Praça da Matriz, até anoitecer e chegar o sono. Era esse o nosso lazer em Antenor Navarro. Meus amigos, numa tarde de dezembro de 1982, atendendo as milhares de preces dos agricultores, rezas dos videntes, sequestros das imagens de São José das Igrejas para forçar a vinda do inverno e todas as simpatias da nossa cultura popular, por volta das 17 horas, as nuvens ficaram da cor de chumbo. O dia virou noite. Como normalmente acontece naquela região do Alto Piranhas da Paraíba, as primeiras chuvas da quadra invernosa são anunciadas por trovões que assustam até as pessoas adultas e idosas.
Enquanto isso, extravasando a ansiedade, a felicidade, a alegria, as pessoas gritam com toda força dos pulmões: Chegou a chuva... Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo... Eu sabia que São José não iria nos faltar nessas horas tão difíceis...
E meus filhos, de 6, 4 e 2 aninhos, que brincavam na Praça da Matriz correndo de bicicleta e empurrando o “andador de bebê” da pequenina Gislância de 7 meses, quando viram aquele cenário de relâmpagos rasgando as nuvens com intensas luzes incandescentes, seguidos por estrondos que mais pareciam pedreiras se desmoronando no rumo daquela praça, essas crianças se desesperaram, se dispersaram, e correndo em direções opostas, aos berros, em pânico, dava apena de se ver.
Curicaca, o vigilante do banco, adentrou a agência ofegante, e gritou: João Dino, corre ali, que o teu menino mais velho desceu no rumo do Rio Piranhas, e a menina desembestou no rumo da Rua da Lama. Os dois pequenos estão se acabando de chorar ali perto da coluna da hora, morrendo de medo da chuva.
Pense no sacrifício prá juntar essas crianças. Todos chorando inconsolavelmente, e naquela agonia gritavam e apontavam para as nuvens.
Eu ainda me lembro. Essas imagens ficaram gravadas na minha mente... Giuliane, na época com 6 anos, em tempo de botar o coração pela boca, enquanto chorava, dizia: Painho, é um monstro que cospe fogo.
Foi a primeira vez na vida que eles ouviram trovões, viram relâmpagos e tomaram banho de chuva. 
Nesse dia chovei mais de 100 mm naquela região. E todos nós só fomos dormir quando a chuva parou, de madrugada.
O trauma foi tão grande para aquelas crianças, que nunca mais elas quiseram brincar na Praça da Matriz.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

HISTÓRIAS DE JOÃO DINO - MONSTRO NO CÉU

HISTÓRIAS DE JOÃO DINO – MONSTRO NO CÉU
Há um mês todas as nossas atenções estão voltadas para o céu. Amanhece, anoitece, as nuvens chegam a ficarem escuras, mais chuva, que é bom, e que nós estamos precisando muito, quase nada.
As prolongadas estiagens do nordeste brasileiro já foram documentadas em livros, revistas, cordéis, nas telas do cinema em centenas de versões etc.
Mas só quem sofreu na pele, como diz o nosso saudoso poeta Patativa do Assaré, os dramas de uma grande seca no nordeste, pode relatar o sofrimento dos nossos irmãos.
Ao longo dos meus 58 anos de idade, o período de maior estiagem que eu tenho lembrança, aconteceu durante o período de 1978 a 1982... Foram cinco anos ininterruptos de seca no Ceará. Até o grande açude de Orós, com capacidade para acumular 2,5 bilhões de metros cúbicos de água, ficou no limite mínimo.
Eu, e minha família, não sofremos diretamente as consequências da seca, porque eu já era o contabilista da Cooperativa dos Irrigantes do Perímetro Icó-Lima Campos, e em seguida passei no concurso e fui para o Banco do Brasil. Mas as imagens da devastação e do terror da seca a gente nunca esquece. Eu presenciei o sofrimento de muita gente.
Pois foi justamente nesse período que eu resolvi me casar. Minha 1ª filha, Giuliane, nasceu no dia 10.07.1977, Gillyerme em 20.04.1979, Netinho em 26.05.1980 e Gislânia em 02.06.1982.
Eu estou descrevendo essas datas para esclarecer que essas crianças, até dezembro de 1982, nunca tinham visto uma chuva.
Aquelas tradicionais brincadeiras infantis do nosso tempo, de tomar banho, de fazer barquinhos utilizando cascas de melancias e papéis, e depois soltar nas ruas alagadas pelas águas das chuvas, essas crianças não tinham qualquer intimidade com isso.
Quando eu consegui transferência para a Agência do Banco do Brasil de Antenor Navarro (PB), atualmente São João do Rio do Peixe, a casa que eu morava ficava na Praça da Matriz, a 50 metros do banco.
Nem televisão as crianças assistiam porque o sinal era tão ruim que não dava para entender nada. Por isso, o divertimento maior era correr, andar de velocípede e de bicicleta na praça.
Normalmente, quando eu saia do banco, vestia uma bermuda e ficava brincando com elas na Praça da Matriz, até anoitecer e chegar o sono. Era esse o nosso lazer em Antenor Navarro. Meus amigos, numa tarde de dezembro de 1982, atendendo as milhares de preces dos agricultores, rezas dos videntes, sequestros das imagens de São José das Igrejas para forçar a vinda do inverno e todas as simpatias da nossa cultura popular, por volta das 17 horas, as nuvens ficaram da cor de chumbo. O dia virou noite. Como normalmente acontece naquela região do Alto Piranhas da Paraíba, as primeiras chuvas da quadra invernosa são anunciadas por trovões que assustam até as pessoas adultas e idosas.
Enquanto isso, extravasando a ansiedade, a felicidade, a alegria, as pessoas gritam com toda força dos pulmões: Chegou a chuva... Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo... Eu sabia que São José não iria nos faltar nessas horas tão difíceis...
E meus filhos, de 6, 4 e 2 aninhos, que brincavam na Praça da Matriz correndo de bicicleta e empurrando o “andador de bebê” da pequenina Gislância de 7 meses, quando viram aquele cenário de relâmpagos rasgando as nuvens com intensas luzes incandescentes, seguidos por estrondos que mais pareciam pedreiras se desmoronando no rumo daquela praça, essas crianças se desesperaram, se dispersaram, e correndo em direções opostas, aos berros, em pânico, dava apena de se ver.
Curicaca, o vigilante do banco, adentrou a agência ofegante, e gritou: João Dino, corre ali, que o teu menino mais velho desceu no rumo do Rio Piranhas, e a menina desembestou no rumo da Rua da Lama. Os dois pequenos estão se acabando de chorar ali perto da coluna da hora, morrendo de medo da chuva.
Pense no sacrifício prá juntar essas crianças. Todos chorando inconsolavelmente, e naquela agonia gritavam e apontavam para as nuvens.
Eu ainda me lembro. Essas imagens ficaram gravadas na minha mente... Giuliane, na época com 6 anos, em tempo de botar o coração pela boca, enquanto chorava, dizia: Painho, é um monstro que cospe fogo.
Foi a primeira vez na vida que eles ouviram trovões, viram relâmpagos e tomaram banho de chuva. 
Nesse dia chovei mais de 100 mm naquela região. E todos nós só fomos dormir quando a chuva parou, de madrugada.
O trauma foi tão grande para aquelas crianças, que nunca mais elas quiseram brincar na Praça da Matriz.


HISTÓRIAS DE JOÃO DINO - MONSTRO NO CÉU

HISTÓRIAS DE JOÃO DINO – MONSTRO NO CÉU
Há um mês todas as nossas atenções estão voltadas para o céu. Amanhece, anoitece, as nuvens chegam a ficarem escuras, mais chuva, que é bom, e que nós estamos precisando muito, quase nada.
As prolongadas estiagens do nordeste brasileiro já foram documentadas em livros, revistas, cordéis, nas telas do cinema em centenas de versões etc.
Mas só quem sofreu na pele, como diz o nosso saudoso poeta Patativa do Assaré, os dramas de uma grande seca no nordeste, pode relatar o sofrimento dos nossos irmãos.
Ao longo dos meus 58 anos de idade, o período de maior estiagem que eu tenho lembrança, aconteceu durante o período de 1978 a 1982... Foram cinco anos ininterruptos de seca no Ceará. Até o grande açude de Orós, com capacidade para acumular 2,5 bilhões de metros cúbicos de água, ficou no limite mínimo.
Eu, e minha família, não sofremos diretamente as consequências da seca, porque eu já era o contabilista da Cooperativa dos Irrigantes do Perímetro Icó-Lima Campos, e em seguida passei no concurso e fui para o Banco do Brasil. Mas as imagens da devastação e do terror da seca a gente nunca esquece. Eu presenciei o sofrimento de muita gente.
Pois foi justamente nesse período que eu resolvi me casar. Minha 1ª filha, Giuliane, nasceu no dia 10.07.1977, Gillyerme em 20.04.1979, Netinho em 26.05.1980 e Gislânia em 02.06.1982.
Eu estou descrevendo essas datas para esclarecer que essas crianças, até dezembro de 1982, nunca tinham visto uma chuva.
Aquelas tradicionais brincadeiras infantis do nosso tempo, de tomar banho, de fazer barquinhos utilizando cascas de melancias e papéis, e depois soltar nas ruas alagadas pelas águas das chuvas, essas crianças não tinham qualquer intimidade com isso.
Quando eu consegui transferência para a Agência do Banco do Brasil de Antenor Navarro (PB), atualmente São João do Rio do Peixe, a casa que eu morava ficava na Praça da Matriz, a 50 metros do banco.
Nem televisão as crianças assistiam porque o sinal era tão ruim que não dava para entender nada. Por isso, o divertimento maior era correr, andar de velocípede e de bicicleta na praça.
Normalmente, quando eu saia do banco, vestia uma bermuda e ficava brincando com elas na Praça da Matriz, até anoitecer e chegar o sono. Era esse o nosso lazer em Antenor Navarro. Meus amigos, numa tarde de dezembro de 1982, atendendo as milhares de preces dos agricultores, rezas dos videntes, sequestros das imagens de São José das Igrejas para forçar a vinda do inverno e todas as simpatias da nossa cultura popular, por volta das 17 horas, as nuvens ficaram da cor de chumbo. O dia virou noite. Como normalmente acontece naquela região do Alto Piranhas da Paraíba, as primeiras chuvas da quadra invernosa são anunciadas por trovões que assustam até as pessoas adultas e idosas.
Enquanto isso, extravasando a ansiedade, a felicidade, a alegria, as pessoas gritam com toda força dos pulmões: Chegou a chuva... Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo... Eu sabia que São José não iria nos faltar nessas horas tão difíceis...
E meus filhos, de 6, 4 e 2 aninhos, que brincavam na Praça da Matriz correndo de bicicleta e empurrando o “andador de bebê” da pequenina Gislância de 7 meses, quando viram aquele cenário de relâmpagos rasgando as nuvens com intensas luzes incandescentes, seguidos por estrondos que mais pareciam pedreiras se desmoronando no rumo daquela praça, essas crianças se desesperaram, se dispersaram, e correndo em direções opostas, aos berros, em pânico, dava apena de se ver.
Curicaca, o vigilante do banco, adentrou a agência ofegante, e gritou: João Dino, corre ali, que o teu menino mais velho desceu no rumo do Rio Piranhas, e a menina desembestou no rumo da Rua da Lama. Os dois pequenos estão se acabando de chorar ali perto da coluna da hora, morrendo de medo da chuva.
Pense no sacrifício prá juntar essas crianças. Todos chorando inconsolavelmente, e naquela agonia gritavam e apontavam para as nuvens.
Eu ainda me lembro. Essas imagens ficaram gravadas na minha mente... Giuliane, na época com 6 anos, em tempo de botar o coração pela boca, enquanto chorava, dizia: Painho, é um monstro que cospe fogo.
Foi a primeira vez na vida que eles ouviram trovões, viram relâmpagos e tomaram banho de chuva. 
Nesse dia chovei mais de 100 mm naquela região. E todos nós só fomos dormir quando a chuva parou, de madrugada.
O trauma foi tão grande para aquelas crianças, que nunca mais elas quiseram brincar na Praça da Matriz.